20 de mai de 2009

O CÉU QUE ME COBRE



Arte/Salvador Dali

A manhã acordou em compasso de espera.
Não sei se eu não dormi ou se a lua levantou mais cedo.
Sei que era tarde e não era, como é há tempos.
Um grito vazio abraçava meu corpo.
Meus olhos abertos e empoeirados.
Um medo que não dormia e um tempo que não era mais tempo.
Tudo era dupuração e dor.
E mesmo que não fosse só isso,
mesmo que houvesse risos e flores lá fora,
ou que ainda fosse carnaval,
em mim era tarde. Era muito tarde sobre mim.
Meu coração tem em si um jeito seco
e murcho que se desmancha
em constantes desacertos que me acompanham.
Algumas coisas sei de mim.
Preciso te-las sobre o papel, me lambuzar.
Preciso me deixar lamber pelo gosto delas,
antes que as manhãs tomem formas rígidas
e não derramem pássaros brancos
sobre o branco do lençol.

by@mb

6 comentários:

jupyhollanda disse...

ai Dri... já disse que seus poemas me tomam de assalto e me arrepiam o corpo todo... tal qual um susto ou uma sensação boa?

Lov U, minha poeta.

B_Ju

J.R disse...

regue o coração!

ele precisa florir né?

Betina Kopp disse...

quando te leio sinto cada palavra.
é tão sensorial...
amo!

Adrianna Coelho disse...


Dri, o que vc escreve tem a sua cara e a sua voz... Tem o que vc é dentro e o que derrama no olhar e deixa sair em silêncio (e no abraço).
Tô com saudade!

beijos

Adriana Monteiro de Barros disse...

AMO VOCÊS!!!!!

MIL BEIJOS

Biagio Pecorelli disse...

foi como se um jambo caisse na minha cabeça. nao sei muito bem como cheguei aqui. obrigado por sua poesia, adriana.

beijo