27 de nov de 2009

SUJEITO HOMEM


Foto/ Arquivo da autora

Te peço licença meu filho mas
vou escrever um tantinho sobre você.
Vou te eternizar na poesia.
É nela que sei interagir
É através dela que invento o lugar
onde as palavras transcedem o escrito.
Te confesso que me assusta e me extasia
a continuidade da vida.
Essa utopia real que é a criação
entre tantos contratempos,
impulsos e sustos.
Assim, me regenero no enlouquecimento dos dias.
Pelo simples fato de você existir
e de fato, por naõ ser tão simples assim.
Ao teu lado me conecto novamente com a vida
que cresce num privilégio sem igual:
tão sua, tão minha,tão nossa,
tão breve mas tão linda!

23 de nov de 2009

NEON

para Tavinho Paes pelo poeta e músico que é.

Não quero mais o amor dos fins de noite de um Baixo qualquer,
paixões transcedentais desse lixo emocional,
habitantes sem paralelos, em paralelas,
gente em transe, gente dormente, num papo sem calma, num papo demente.
Não, não quero mais o amor dos fins de noite de um Baixo qualquer.
Vou deixar que os dias me levem pro vão da vida
que eu levo de qualquer jeito cheia de nãos.
Me desfaço em pedaços, me traduzo literalmente em cacos.
Quem sabe da minha obsessão sou eu.
A cidade me dá claustrofobia
me engole e eu a vomito.
Não suporto o caminho dito e não feito,
a vida cotidiana e iráscivel.
por isto, no início, mato o desejo
e no fim, mato a personagem em mim.

29 de out de 2009

COMO POSSO TE AGRADECER, HELENA?


Arte/Frida Kahlo
Oi Adriana,
acabo de ler teu livro, inteiro, e quero te dizer que gostei muito.
talvez tenhas demorado a publicar porque estavas vivendo. e da vida mesma, essencial para o conhecimento de tudo e de nós mesmos, revelas a experiência e o sentimento de quem a vive intensa, sem medo, como uma flor que nasce no asfalto e dá luz ao que é escuro, movimento ao que parece estático, turbilhão onde existe apatia.
parabéns. e obrigada. foi muito bom estar frente a frente com uma pessoa sincera no que faz, e invulgar justamente por isso.
beijo
Helena Ortiz

19 de out de 2009

É H.O.J.E

Leituras da semana
www.paulacajaty.com

Queridos amigos,

Outubro já se acaba, o horário de verão começa, termina a primeira década desse novo século, e é como se pudesse sentir a vida correndo para outros rumos, rumos onde a maresia é mais forte, por onde as ondas batem solitárias e repetidamente ecoam por dentro.

E isso traz um certo medo, como se o entardecer desse algum aviso importante e profundo, de como vamos perdendo as pessoas, os amores, de como vamos nos perdendo de nós mesmos. E é como se a vermelhidão nas nuvens avisasse o quanto somos impotentes tentando manter as coisas como elas sempre foram, tentando manter por perto os que nos são mais caros.

Certas pessoas são tão importantes que quase nem nos damos conta disso. Essas pessoas que nunca passam tempo suficiente dentro da gente.

Os dias batem e ecoam, as horas precisam andar por outros rumos, e só depois, bem depois, é que entendemos.

Aquela liberdade de ir e vir e não ter amarra, traz uma gravidade maior do que a juventude pedia. Apesar disso tudo, do vermelhecer das nuvens, da noite agitando o vento, do alvoroço nas copas das árvores, eu já me recolho desde agora, fecho a janela no trinco e abro o postigo.

E pego um livro, claro, esse remédio para todas as horas.

Dicas da semana (10.10.2009 a 16.10.2009)
Fontes: Caderno Prosa&Verso, jornal O Globo, Suplemento Ideias&Livros, Jornal do Brasil, e mailing pessoal da autora

Eventos, cursos e novidades

- os poetas Elaine Pauvolid, Luis Serguilha e Thereza Christina estarão na Ponte de Versos de 19.10, a partir das 21h no ArtHostel (Silveira Martins, 135, Catete), juntamente com a turma da Arte em Andamento, Adriana Monteiro de Barros e Cristina Terra.
(...)

- o escritor e amigo Beto Palaio, de Sampa, encaminha página do The New York Times, com Herta Müller, que ganhou o Nobel de Literatura de 2009, e alguns trechos de três de seus livros. Valeu, Beto!

14 de out de 2009

UM POEMAÇO



Se me perguntarem hoje o que mais gosto de ganhar, eu diria: poemas. Principalmente e por ter sido feito em minha homenagem. Com certeza não há paixão maior nesse mundo que ser carinhosamente lembrada por um grande poeta. Obrigada Rui, por todos os sonhos que tive, embalados pelo seu poema. Meu beijo eterno.

CACOS
Para Adriana Monteiro de Barros

Abro-me em cacos de sonhos.
Quero ser acolhido
em mãos sem medo.
Que as lágrimas não vertidas
encontrem seu vórtice
e brotem em meu rosto,
sem medo.

6 de out de 2009

Não é meio em cima da hora é a hora que é essa.


Galera é a primeira vez, e a primeira vez vcs sabem....a gente nunca esquece. Mas acredito nas boas impressões e intenções do meu querido poeta Tavinho Paes, uma cabeça em permanente ebulição! O lugar dever ser bacanérrimo, as pessoas, claro! Mas o melghor de tudo é o visual da Av Sernambetiba. O NatVideo fica à uma rua da praça do Ó pra quem vai pro Recreio. Nos vemos lá então às 21:30h.O evento sarau-muiltimídia acontecerá todas às quartas de outubro e quiça de novembro.

1 de out de 2009

PONTE DE VERSOS

PONTE DE VERSOS e LIVRARIA DACONDE
convidam para a leitura de poemas em homenagem a

MARIO DE ANDRADE

Mario de Andrade estaria completando 116 anos em 2009. Os poetas da Ponte de Versos homenageiam um dos mais importantes intelectuais do país.
“Sem Mario de Andrade não haveria a nova poesia no Brasil. Foi ele quem começou tudo com a Semana de Arte Moderna de 22, que, por sua vez, foi um divisor de águas para a poesia que se faz hoje”, afirma Thereza Christina Rocque da Motta, organizadora do evento.

Poetas convidados:
Adriana Monteiro de Barros
Elaine Pauvolid
Cristina Terra
Pedro Lage
Pedro Lago
Rosália Milsztajn
Gustavo Jobim

Este mês acontece mais cedo por conta dos feriados (12/10, N.S. Aparecida e 19/10, dia do comerciário).

Traga seu poema favorito!
Venha fazer parte da comemoração na sobremesa!
Traga um poema no bolso para a saideira!

Segunda-feira, 5/10/2009
das 20h às 23h

Entrada franca.

Livraria da DaConde
Rua Conde de Bernadotte, 26 lj. 125
Leblon | Rio de Janeiro | RJ

Abraços poéticos,
Thereza Christina Motta

Próximas Pontes de Versos:
16/11 - Homenagem a Cecília Meireles (aniversário em 7/11)
21/12 - Ponte de Natal - Homenagem a Machado de Assis




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29 de set de 2009

TEMPORAL



Tempestades não são boas conselheiras.
Em geral, deprimem o retrato.
Melhor esperar a cachoeira cumprir seu destino
Afinal, a poesiaaquece o pensamento embaixo dos lençóis.
As borboletas ainda se debatem contra as vidraças molhadas
e as orquídeas teimamem colorir a paisagem pelas janelas.
Em dias de tempestade, meus olhos chovem.
Choram e chovem todas as lágrimas que agora caem lá fora
Meus olhos ainda insistem em chorar.

11 de set de 2009

ANJOS TÊM ASAS QUEBRADAS



MEIA-NOITE E OS GATOS MIAM ININTERRUPTAMENTE.
MEIA-NOITE E EU DESPERTA,
SOM LIGADO,
LIVRO ABERTO
TUDO SEMPRE INCERTO.
MEIA-NOITE E EU CHEIA.
NOITE EMEIA E EU AQUI.
EU MINGUANTE.

28 de ago de 2009

OFÍCIO DE ESCRITOR



Foto/Maiakowski
Para meu Pai

TODA PALAVRA É SILÊNCIO.
TODA PALAVRA É ALMA.
TODO SILÊNCIO É PALAVRA.
TODA ALMA, SILÊNCIO.
TODO SILÊNCIO É VESTIDO DE ALMA.
APESAR DAS PALAVRAS, MINHA VIDA NUNCA FOI SILÊNCIO.

17 de ago de 2009

DAS MARGENS


foto/google

MEU POEMA NÃO É FEITO DA ÁGUA DOS RIOS
MAS DAS LÁGRIMAS QUE AS ÁGUAS DOS RIOS NÃO LEVAM.
FLUTUO UM POEMA DE URGÊNCIAS.
TUDO NELE É LÍQUIDO.
UM POEMA LÍQUIDO.
MEUS OCEANOS VAZAM ENQUANTO NADO EM DESERTOS.
SUO A LIQUIDEZ DAS PÁLIDAS MANHÃS.
SOU O SILÊNCIO QUE TRANSBORDA INCÊNDIOS EM DESERTOS.
NO FUNDO OU NA RASANTE DOS RIOS
PALAVRAS, SÃO LÁGRIMAS QUE AINDA NÃO CHOREI.

2 de ago de 2009

SOBRE O RESTO DAS COISAS



SOU FEITA DO QUE ME RESTA.
MEUS OSSOS E CORPO FALAM POR MIM.
OLHO PRO TEMPO E ISSO ME ASSUSTA E SUSTENTA.
TODO POEMA É UMA TENTATIVA DE ACALENTAR ESSA DOR.
SE ESCREVO ASSIM É PORQUE ME FAÇO LEVE.
JORRO PRO MUNDO O QUE NÃO CABE EM MIM.

by @mb

27 de jul de 2009

SOLIDÃO NA METRÓPOLE


Foto Marylin Monroe

Rasgo a cara na manhã cinzenta desta cidade.
Me dirijo a qualquer lugar.
Não olho os sinais.
Não olho pra trás.
Automaticamente, sigo em frente.
Não paro.
Não ouço.
Finjo,
Não sinto.
Deslogo e ligo o I-Pod.
Antena transmissora de mim.
Não canto. Não penso.
Ouço apenas o barulho do meu silêncio.

2 de jul de 2009


foto/Rita Hayworth

ESTILHAÇOS DE NUVENS

O amor é uma concha.
Aos poucos e cruelmente
suas arestas tornam a pele estéril.
Não há parto que o faça em pedaços
nem tempo de espera que o faça leve.
O amor não conhece o fundo dos rios.
Não importa,se o vento soprou os pingos de chuva
para debaixo das nuvens.
Eles simplesmente se quebraram no ar.
Do amor não beberei mais.
Há arsênico em seus pequenos frascos.
A morte é anunciada em borrifadas de perfume e mel,
como minha loucura.

22 de jun de 2009

SEMPRE SUA E ETERNAMENTE NUA


Foto/Atelier da Imagen

Dormirei pouco hoje
porque a noite é pouca
a madrugada é pouca
e o dia é imenso.
me dê sua boca
sua lingua
seu gosto
pois é tudo desejo
tudo beijo.
depois abra suas pernas
porque meu corpo está obcecado
e o coração adocicado.
me come, me faz de puta
e depois me abrace.
chegue assim sem pedir licença
se meta na minha vida
tire minhas roupas
e engula meus seios.
deixe eu invadir seu peito
quero gemer no seu pescoço
uivar nos seus ouvidos
te fazer de meu e me fingir de sua.
e antes que a lua me amanheça
me faça sua refén
depois eu juro que vou embora.

@mb

9 de jun de 2009

CERTAS (in) COERÊNCIAS




SIGO INDEFINIDA.

SILENCIOSA, DESFILO VERSOS,

NA CADÊNCIA DAS MANHÃS.

POR VEZES ENLOUQUECIDA,

EM OUTRAS SERENA,

PRECISO DESPIR-ME DE PENSAMENTOS

E FAZER VOAR DESEJOS EM VOLTA DE MIM.



by@mb

1 de jun de 2009

ENTRE BOLAS DE GUDE E O INFINITO DO CÉU.


Foto/Valéria Simões

Outro dia, um desses dias especiais que não saem da memória, recebi do meu filhotinho, um poeminha lindo no dia das Mães. Dizia assim:

"Mãe, você é o pólem da minha flor.
O sangue das minhas veias e artérias.
Você é um dos neurônios do meu cérebro."


Então em homenagem ao Gabriel, o meu poema.

Dizem que homem não chora,
mas eu já vi homem chorar.
Vi um pequeno homem chorar
e choramos juntos.
Choramos pessoas, coisas e nós
choramos um mundo,
depois brincamos de esconder lágrimas.
Brincamos de esconder rios de lágrimas.
Meu menino tem todas as idades,
tem nos olhos um universo de sentimentos.
às vezes, escorrem águas.
Em outras brilham,
mas nos olhos do meu menino,
há, para sempre, o azul imenso
a romper os dias
e a atravessar as manhãs
do infinito céu de janeiro.

20 de mai de 2009

O CÉU QUE ME COBRE



Arte/Salvador Dali

A manhã acordou em compasso de espera.
Não sei se eu não dormi ou se a lua levantou mais cedo.
Sei que era tarde e não era, como é há tempos.
Um grito vazio abraçava meu corpo.
Meus olhos abertos e empoeirados.
Um medo que não dormia e um tempo que não era mais tempo.
Tudo era dupuração e dor.
E mesmo que não fosse só isso,
mesmo que houvesse risos e flores lá fora,
ou que ainda fosse carnaval,
em mim era tarde. Era muito tarde sobre mim.
Meu coração tem em si um jeito seco
e murcho que se desmancha
em constantes desacertos que me acompanham.
Algumas coisas sei de mim.
Preciso te-las sobre o papel, me lambuzar.
Preciso me deixar lamber pelo gosto delas,
antes que as manhãs tomem formas rígidas
e não derramem pássaros brancos
sobre o branco do lençol.

by@mb

11 de mai de 2009

PAZ ENGAVETADA


Arte/Rausch Rausemberg


Há mais ou menos um mês, meu filhote Gabriel, me veio com a seguinte novidade: "Mãe, eu quero que vc participe do Concurso de Poesia que vai haver no colégio." A voz era enfática e o compromisso maior ainda. Tudo bem que eu seja poeta, já tenha lançado um livro e até ganho um Concurso de Poesia, aliás, o primeiro e até então o último em que havia decidido participar, mas o pedido de um filho sedutor como é o Gabriel, é quase uma ordem.

Resolví então dar essa alegria a ele e de alguma forma, contribuir para que os alunos leiam e escrevam mais poesias. O Concurso no Cel - Centro Educacional da Lagoa- era entre pais e alunos em categorias distintas,idades diferente e prêmios também diferentes mas, o tema referente a Paz seria o mesmo para todos. Bom, sentei e quebrei a cabeça porque nunca havia escrito nada cujo tema fosse encomendado.

No dia 6 deste mês, resolvi dar uma olhada no resultado do concurso, já pensando em explicar para o Gabriel, que concurso é igual a cabeça de juiz, nunca se sabe exatamente o que pode acontecer. Perguntei então à professsora dele sobre o resultado e ela educadamente, me pediu que falasse com a coordenadora do colégio. Fui falar com a Lucília que na mesma hora deu uma risada gostosa e disse: "Dá uma olhada no cartaz alí fora."

Aí Meu Deus, eu tô muito velha pra essas coisas, emoções fortes assim, podem me tirar o fôlego, pensei. Mas, fui checar. Quando ví meu nome em vermelho e os olhinhos de felicidade do meu filho, tudo fez sentido. Eu havia ganho o concurso, junto com outros alunos e pais de alunos. A premiação é amanhã e o DVD player que vou receber já tem dono certo. Por esse e outros motivos,dizer que não fiquei feliz ou que não acreditava totalmente que pudesse ganhar, seria uma hipocrisia da minha parte, mas nada se compara à felicidade que proporcionei ao meu filho. O Gabriel sim, merece esse prêmio e todos os outros que virão, muito mais do que eu.

PAZ ENGAVETADA

Dentro do meu armário, no fundo de uma gaveta,
existe um cofre, uma caixa sem trancas,
de onde onde saltam transparentes bolinhas de gude
e pedras redondinhas que eu catava à beira do rio.
Não eram raros os banhos de cachoeira e os tatuís na praia.
Pedaços de quartzo soltos na memória.
Meus retalhos de boneca, minha rede preferida,
luas cheias, janelas escancaradas ao léu,
e meus anjos travessos da turma da esquina.
Cacos e colares de conchinhas de areia que a vida dissolveu...
Hoje, entre janelas, riscam balas perdidas,
os portões têm mais grades,
as ruas estão mais tristes e escuras
e só a minha caixinha não tem trancas.
Nela brinco com as palavras e as memórias de criança,
que ainda solta pipa e acredita em gnomos, fadas e dragões,
mesmo que sejam castelos de areia,
no fundo de uma gaveta, dentro de uma armário sem trancas.

5 de mai de 2009

A MATEMÁTICA NOSSA DE CADA DIA.


Foto/ Google

Se um dia o computador nos calcular somo vidas em mim.
Ando cansada dessa matemática de menos.
Me recuso ao meio prazer, meia paixão,
meio tesão ou meia dor.
O meio da metade de todos que ao contrário de tudo
ainda são divisores ao invés de inteiros.

by@MB

29 de abr de 2009

AUTOFAGIA


ater/Pollock

DELICIOSAMENTE MINTO SOBRE AS DELICÍAS DOS MEUS DELITOS.

27 de abr de 2009

SER



Arte/Frida Kalho

A ETERNIDADE DO SER É SENÃO À PRÓPRIA VIDA. A EFEMÉRIDE DE TUDO. A INSUSTENTÁVEL INCERTEZA DO PRESENTE E A CERTEIRA DESCONFIANÇA NO FUTURO.

BY@MB

21 de abr de 2009

13 de abr de 2009

CORAÇÃO URBANO



Arte/Magrite

Romper limites
extrapolar fronteiras
quebrar a cara
nesta babilônia dos sentidos
é solidão a 2.
É solidão na multidão
luta que já nasce abortada
num gozo da alma sem calma.
Cidade de loucos
cidade de poucos
Rio de todos
engrenagens, sakanagens,
gringos, gingas e galinhas...
Rio pra não chorar
Rio pra não gargalhar
Rio pra não dançar do homem q não ri
seja em Copacabana ou na Miami daqui.
Metópoles de uma mesma cidade
e seus personagens alucinados
iluminados
desesperados.
Rebeldes moram aqui
ratos também
e neste covil nos comemos todos
vivos ou mortos
rinocerontes ou não
seres doentes organicamente sãos.

9 de abr de 2009

AMORES SILENCIOSOS NÃO DURAM MAIS.



De novo esta longa pausa entre uma cicatriz e outra.

De novo verei a chuva cair sózinha.

De novo jantarei e dormirei só.

Acho que me cai bem uma personagem assim.

Um dia feliz, noutro chafurdada na lama.

Amores que não duram mais que um amanhã.

Amores maiores que o próprio amor.

2 de abr de 2009

VAZIOS



arte/PETER BLAKE

DESNECESSIDADE É VER O QUE NÃO HÁ.

@MB by myself

30 de mar de 2009

SOBRE ALGUMAS COISAS DE MIM




Porque ainda sinto e respiro

Por todos os apesares

Por toda lágrima

Por todos os que amo e amam

Por todo encanto

Porque ainda canto

Por tudo que é mais sagrado

e o que não é mais...

Apesar do eterno e do efêmero

Do enterro e do medo,


VIVO!

25 de mar de 2009


arte/ Van Gogh


Um horizonte de pássaros me visita e o tempo parece pescar o voo no infinito.

20 de mar de 2009

SUSTO


tela/RAUSH ROSEMBERG

Meu coração dormia quietinho.
Pensei que não fosse haver mais tempestades,
mas de todas as coisas,
é esta a que eu menos sei.
Tempestades de movimentos me dão medo.
O medo cresce dentro da gente .
cresce e afunda nosso barco.
Cresce onde os olhos doem e não podem mais ver.
Na gaveta do não-sei, eu guardo uma âncora.
Lançada ao mar, me fixa e me equilibra.
Se tempestades fossem outra calmaria,
se jorrassem do céu e não de mim,
se ao invés de chuva,
escorressem raios de sol pelos olhos,
eu acreditaria que lágrimas seriam água.
O resto é outra simentria.

18 de mar de 2009

DAS MARGENS



Meu poema não é feito das águas dos rios.
Mas das lágrimas que as águas dos rios não levam.
Tenho um poema de urgências que me reinventa a cada margem.
Tudo nele é líquido.
Meu poema é líquido.
Meus oceanos vazam enquanto nado em desertos.
Suo e Sou a liquidez das manhãs que transbordam
incêncios em silêncios.
Em mim, um poema líquido , mora.

by myself

12 de mar de 2009

REFLUXO



Não aprendi a me conter.
Ainda vazo. Infiltro.
Ainda derramo.
Deságuam em mim correntezas.
Mar aberto. Rios sem margens.
Viver é ato contínuo.
Ato reflexo e contínuo.
Forma de eternizar o presente.
E há muitas formas.
Todas elas me cabem.
Todas elas existem.
Umas desfolham. Outras me vestem.
Umas, outono. Outras, inverno.
Certas estações me vertem sendo água.
Certas pessoas me tranaspiram sendo quentes.
Acho que meu fluxo brota em letras.
Depois de escrever, eu jorro pro mundo.

by mylself

8 de mar de 2009

OUTRAS VOZES



MEU AMOR DESFILA ESGUIO SOB O OLHAR DA LUA.
ACONTECE SENSATO SOBRE A VIDA.
LÂNGUIDO E FORTE,ESPALHA SEU ENCANTO.
SEDUZ OS MAIORES MISTÉRIOS DA CRIAÇÃO.
SEU DESEJO É ARDENTE.
E NO COTIDIANO DA LEVEZA,
O QUERO EM MEUS BRAÇOS.
SEMPRE.

3 de mar de 2009

Da série problemas pessoais...


arte/BASQUIAT


MEU CORAÇÃO É UM JORNAL DIÁRIO
ONDE ESPOCAM FASHES DE NÓS DOIS
EM MANCHETES EXPLOSIVAS
E EMPOEIRADAS DA METRÓPOLE.

ARRASTO COMIGO UM POEMA
QUE IMPRIMO NO CORAÇÃO
NA BUSCA INCESSANTE DE PALAVRAS
PARA SER ESCRITO.

NAVEGO A CANETA ÀS TARDES CINZENTAS
COM A CARA IMUMDA DE PERSPECTIVAS
MAS LAVADA DE CICRATIZES.
E QUANDO A NOITE CHEGA
COM SEUS OLHOS DE FERA
JOGO A LUA DE SAUDADES SOBRE TI
E ME ENGULO ADENTRO.

27 de fev de 2009

PARA O ANO COMEÇAR BEM...BAMGALÔ TRÊS VEZES....



A noite deságua o amor
dos sonhos telúricos deste homem
que adormece ao meu lado
e que habita minha alma exilada e refugiada
sobre seus encantos.
Sou açoitada pelos teus desejos,
embalada pelos teus beijos
na noite que me faz sereia.
E lá, no fundo do mar desses lençóis,
somos muito mais doque doces momentos...
seremos sempre eternos encontros.

25 de fev de 2009

EU MEDITEI NO CARNAVAL DO RIO



Nunca fui muito "dada" à Carnaval. A folia de Momo nunca me pegou pelos peitos ou pelos pés. Mas não sou nenhuma chata que prefere se trancar em casa, ao invés de encontrar os amigos rua à fora. Gosto sim, de um papo no bar, participar de alguns blocos ou mesmo sambar quando os pés começarem a coçar. Mas passei os quatro dias de carnaval assistindo à programação via satélite.

No início por uma opção mais que legítima, uma vez que meus filhos viajaram, e eu simplesmente me dei ao luxo de ficar no Rio. Pensei em descansar do trabalho que a rotina nos impõe e relaxar, porquê ninguém é de ferro. Não deu.

Toda vez que pensava em botar o bloco na rua , era aquela loucura, " um corre-corre", "um puxa e vai", "um tira essa mão bôba daí, meu velho" ...Não, assim, não há animação que resista. A minha então que já não é grande, ficou menor ainda...

O Leblon, bairro onde moro há anos e que por tradição ou estratégia, sempre ficou mais à margem da folia, a não ser em dois ou três pontos mais conhecidos, este ano enlouqueceu. Havia banda em cada metro quadrado. Carro nem pensar, vaga mesmo só no depósito do Detran. Desistí.

Peguei então vários livros que olhavam pra mim há dias, posicionei o telefone, o controle remoto da tv, liguei o computador e assisti o carnaval passar pela janela. Não sei se isso é a tal crise da idade, mas em 2010 vou pra serra. Vou dois dias antes e volto um dia depois. Só espero que as estradas e o meu carro estejam em perfeitas condições. Senão, vai ser outra roubada!

Namastê!

16 de fev de 2009

REGRESSO


foto/Luciana Dau

Há na vida, algo maior que não se decompõe com o tempo,
e transpõe a matéria.
Há, no amor , um acontecimento sublime que ultrapassa o encontro.
Há, no sonho, um fio de realidade que vai além de uma canção
e seu destino.
Há, no homem, a idade plena da esperança,
o gozo supremo de amadurecer como frutos de uma existência.
Haverá sempre o eterno juízo, o eterno retorno ao espírito
e ao que ele significa.

9 de fev de 2009

FORMAS


FOTO/LUCIANA DAU

tento descrever os instantes que me perseguem,
a vida que me basta,
mas as letras me faltam.
O que sobra é a incerteza,
que me cala.

3 de fev de 2009

ENGOLIR


foto by Julio Pereira

Sei que engulo sentimentos e palavras.
Travo, mergulho, emboto...
Esqueço de distrair o tempo, tão vento, tão nuvem.
Me agarro aos fatos, aos cigarros, às coisas que não sei,
às que não são e às que nunca terão sentido
Engolir sentimento e palavras, é uma forma educada de não cuspir,
um jeito discreto de fazer as pedras rolarem,
mesmo que não façam tanto barulho.
Mesmo que sejam tolas...

31 de jan de 2009

É...



Tem dias de sim. Dias de não. Dias apenas.Apenas pianos invisíveis no ar.

27 de jan de 2009

VOLTA E MEIA



Minha vida anda dando voltas, ontem caminhei sem olhar. Ando meia cheia de todos, meio vazia de tudo, meio louca da vida. Dersarvoro, desatino, perambulo pelas ruas e me distraio em qualquer esquina. Preciso de senso enquanto acalmo os nervos. Meus erros não são de criação, é total tensão. Mas um dia ainda me conserto, me endireito, tentando fazer um festim perfeito. Um dia ainda vou ser dona de mim e vou achar graça dessa danada que ronda a minha cabeça com algumas certezas e infinitas desculpas....

24 de jan de 2009

UM OLHAR CANGAÇO


arte/Bispo do Rosário

Sábado passado foi um daqueles dias memoráveis....Sabe quando vc não espera encontrar tanto poeta de respeito numa mesa de bar? Pois foi assim,uma amiga combinou o encontro e chamou as pessoas, poucas mas, de peso. Achamos que seria melhor desse jeito, quatro ou seis no máximo, para que a gente pudese se conhecer. Deu tudo certo, além de trocarmos livros e experiências, trocamos afetos...E entre os poetas estava o veterano Moacy Cirne, criador do poema/processo, e seu blog, "Balaio Porreta".A surpresa ficou por conta de dois poemas meus publicados esta semana no blog do Moacy. Foi uma delicadeza rara e especial de um dos maiores poetas deste país. Agora é a minha vez de retribuir e ficou difícil no meio de tanta coisa boa. Espero que eu tenha feito uma homenagem à sua altura Moacy. Beijos pra vc!

Um Olhar cangaço

de Moacy Cirne

um certo cansaço
um lambelambe sem memória
um velho cinema pax
um cão sem plumas
um potengi ao crepusculecer
um maraca maracanã
um poema sem poesia
um xerenhenhenhé de mulher
um quase tudo nenhum
e
50
sonhos adormenguecidos

22 de jan de 2009

CHÃO DE NUVENS


arte/paul Klee

Há muito minha mãe deixou de contar estrelas...

Enquanto me mostrava "As três Marias" no céu,

procurava a mais brilhante e fazia comigo um pedido.

Hoje, ela continua a ver estrelas...mas não às conta mais.

O cansaço já a quer quietinha em seu silêncio de côres.

Peço a Deus que perfume seu jardim de jasmim,

para que nós possamos ter colado ao coração,

lindas e perfeitas imagens de criança,

enquanto os dias forem assim...

um chão de nuvens sem fim...

20 de jan de 2009

FLORADA /in Pianos Invisíveis/


foto/ Karina Sokolova

Tudo em meu corpo adoece.
Tudo em meu corpo adoece quando choro.
Tudo em meu corpo chora.
Choro em todos os meus cantos.
Choram cantos e todos
choram todos os cantos.
Meus cantos são todos os cantos que choram.
Tenho muitos cantos
e eles choram.
Me alargo em tudo
e tudo me alaga.
Me alaga o rio quando choro.
O rio me alaga e me alarga.
Chora um rio em mim.
Um rio é um canto meu que chora
Meu avesso é um canto meu que floresce.
Meu aveso é um canto meu que chora e floresce.

Quero florescer como choro que brota
e como rio que alaga quando me deito.

18 de jan de 2009

SOBRE O RESTO DAS COISAS....


foto/ Oleg Novopilov

Sou feita do que me resta.
Meus ossos e corpo falam por mim.
Olho pro tempo e é isso que me sustenta e assusta.
Todo poema é uma tentativa de acalantar essa dor.
E se escrevo é porque me faço leve.
Enquanto jorro pro mundo,
o que não cabe mais em mim.

La Fiorentina


Imagem/ Joseph Cornell

"O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis"
Fernando Pessoa

16 de jan de 2009

O VERSO



Tristezas devem ser deixadas no papel.
Não voam.
Basta que não se escreva palavra mal dita.
Enquanto elas ficam adormecidas em letras,
torna-se possível recomeçar.

13 de jan de 2009

POEMA ADRIANA


FOTO/GOOGLE
Em meio as festividades Natalinas regadas a cervejas, como não poderia deixar de ser, em se tratando dos "Ratos Diversos", eis que recebo de um amigo e poeta queridíssimo, um poema mais que oculto, quase de última hora. Mas o presente de fim de Ano não podia ser melhor! Que venha 2009 e "sobrem apenas beijos pra nos restaurar" Um Céu de beijos e abraços apertados pra vc Pedro!
PEDRO LAGE

"Um poema de ultima hora
Um poeta sempre é preciso
Mesmo vago-simpático, solto
no escarcéu do mundo-caos, de improviso
ou rugindo por dentro da Aurora
São últimas todas as horas
e o poeta de sobreaviso se encarrega do melhor
Ser o ordenador deste samba no escuro.

Passam vergéis de núpcias sagradas
Passam hip-hops do brejo
Os olhos se abrem ao cortejo
Passa um bonde voador puxando um piano
que ninguém vê, cheio de teclas mais sensíveis
que seus olhos de aldeia. Por um triz a lua é cheia
E o melodrama não existe, nem o fado
Mas o dia ali demanda a cor de teus olhos tristes
Minha longilínea mana,
E tudo o que sou a teu lado é feliz!
Mesmo que juntos a gente coma
as ruelas dos sonhos e desmonte os desejos
até que sobrem apenas os beijos
pra nos restaurar.

by
Pedro Lage

12 de jan de 2009

ME FALTA


Retraro de Fernando Pessoa tela/ Almada Negreiros

Hoje não irei.
É dia de interiores fechados.
Dia de chuva é dia de não ir.
Mas de chorar.
Talvez amanhã eu empilhe sonhos
e fique encantada.

10 de jan de 2009

JANEIRO



Gente, estou de férias.... quer dizer, meu filho de 10 anos está de férias. Por isto a ausência....contíiiinua! Mas entre um milk-shake e um sol escaldante, eu tento atualizar o blog. Beijos mil!

3 de jan de 2009


tela/ Cornell Squirrel
Minhas palavras são lágrimas que ainda não chorei.