31 de ago de 2008

arte/ Tarsila do Amaral- O Irapuru



Por que queria fazer um poema alegre,
feliz de falar.
Mas a vida pede paciência
e enquanto houver vida,
sempre me restará escrever.
Se alegre ou não
haverá poesia.
Escrever, é o que me cabe.



29 de ago de 2008


Não suporto auto-promoção e quem me conhece sabe bem disso. Mas depois que entrei nessa onda de blog pra cá e pra lá, vá lá que se diga o "what happens"...
Para os que quiserem dar a honra de me assistir ao vivo e poematizando (esse verbo é meu, viu, antenados de plantão!), não percam a oportunidade no dia 12 de setembro lá na Taverna, um barzinho super in em São Gonçalo, às 21:00h.Pra quem não conhece, fica um pouquinho depois de Niterói. Já para os que preferem um lugarzinho mais light, a dica é a FLAP, nos dias 20 e 21 de setembro, na PUC/Rio, a partir das 14:00h. E no dia 28 do mesmo mês, vou estar relançando meus pouquíssimos livros no salão poético da AABB/Rio a partir das 16:30h. Quem comprar leva o CD de brinde, pq os que fiz pro lançamento oficial, se esgotaram! Ah é tão bom falar, esgotou! Esgotou, esgotou, acabou!!!!!!!!
beijos e chuviscos .

28 de ago de 2008

foto/ sebastião salgado
Retalhando-me crio uma colcha de poemas visuais.

27 de ago de 2008

sobre algumas coisas a respeito de mim.


Conheço o grande susto, a grande aventura de estar viva e suspensa. Exatamente porque sei que meu alento é fazer da vida o meu roteiro, minha canção, minha única explicação. Há certos dias olho para o mar e procuro uma esperança que me proteja sob o sol, algo que me faça entender o amor, a existência e seus mistérios....Sutilmente deixo-me embriagar por ele e me banho em suas águas deliciosamente eternas, enquanto viva!

24 de ago de 2008


perdi a coragem do suicídio.


que ele vá pra longe,


que seja o alvo de outras flechas fincadas em meu corpo.


sou flecha andarilha.


sou flecha que atinge o ápice do alfabeto.


sou linguagem pura e sem dialética.


sou alvo da palavra.


sou palavra tingida


lingua afiada,


sou arco de palavras e não de flechas.

23 de ago de 2008

O menino do dedo duro

Demorou nove anos pra acontecer, mas finalmente ele conseguiu quebrar o dedo indicador. Logo o indica-dor! Até que o estrago foi pequeno... perto do que o Gabriel apronta. É o tipo hiperativo moderno. Só de esportes, pratica três: tênis, taekwoondo e futsal...(bem, esse está em estudo).

O incrível nessa história foi a espécie de intuição que tive dias antes, passeando pela feira de livros que está por por essas bandas . Revirando a pilha de livros, encontrei um que eu li quando era pequena e que hoje só acho em sebos ou pedindo na editora.

Lembram de "Tistu o menino do dedo verde"? Pois é, lí este livro há uns 30 anos...e afirmo que foi uma das minhas primeiras experiências poéticas na literatura. Comprei-o na hora e por um preço super legal.

Uns dois dias depois, numa pelada pós aula, o Gabriel me quebra o dedo. Acidente, azar, premonição de mãe, sei lá, depois eu penso nisso. O fato é que, mesmo com o coração partido, assistindo o médico enfaixar o dedinho do meu filho com um monte de tala , esparadrapos e gases..., agradeci.

"Imagina... daqui há três semanas o garotão vai estar pronto pra outra", me disse ele.

Não, o senhor não entendeu. Não estou lhe agradecendo diretamente, ou estou, não sei , o lado positivo nisso tudo, é que agora meu filho vai ter tempo de sobra pra ler de cabo a rabo o último livro que comprei pra ele, não é Gabriel?

-Hann, hann...

- Ótimo, então estamos combinados, nada de futebol, é literatura na veia!

Loucura? Não, não mesmo, mãe tem sempre explicação pra tudo...!

22 de ago de 2008


...abro as pernas assim como quem abraça o universo,
engulo tua boca e tua lingua, como quem não precisa da palavra.
Invado teu sexo e te enrosco em mim,
como se viver fosse essa estranha dança em eterna mudança.
Deslizo a mão em teu corpo e me lambuzo do teu gosto.
Desse gosto que quando a gente sente já entranhou no ventre.
Me queima por inteira o fogo que sinto perto do teu rosto,
então, desnude minhas cachoeiras e correntezas com teus lábios
e me abasteça desse desejo
que dentro de ti,
simplesmente, me enlouquece...

20 de ago de 2008

hoje desconstruí a palavra, descontruí o sentido dela. o que fica é o que não se escreve, nem se fala, cala...é esse estranho choro na face que peço que o tempo se encarregue e carregue pra longe de mim...




19 de ago de 2008

Formas

arte de renato rezende
tento descrever os instantes que me perseguem,
a vida que me basta,
mas as letras me faltam.
o que sobra é a incerteza,
que me cala.
art/basquiat

desnecessidade é quando podemos fechar os olhos e ver o que não há...

18 de ago de 2008

art/paul klee
atrás do coração, mais atrás ainda, existe uma dor que não consigo traduzir.

14 de ago de 2008

art/tápies
Se for preciso me perder para sentir

então que isto seja só o começo

foto arquivo da autora


DA ARTE DE SENTIR

algumas pessoas me acham estranha.

Não sou eu a estranheza. Ou sou

Mas é no encontro com o estranho
em que me renovo e renasço.

11 de ago de 2008


RESPIRO PARA ESPANTAR OS MAUS PENSAMENTOS.

PRECISO RESPIRAR MAIS PARA DENTRO DE MIM.

8 de ago de 2008


como posso ser tão só se meus segredos enchem um mundo...

5 de ago de 2008


MEU PÉ DIREITO

as vozes que escuto são frias
como frio é o sangue que desliza pelos poros.
há dias conto os dedos do pé entre devaneios de coca-cola e algum prazer.
vivo a me quebrar
quebro a perna, cara, coração...
mas cara não se enfaixa se expõe a cicatriz.
então lenta e calmamente definho na veia
e nos veios dos descaminhos.
a monotonia dos dias chega de manso
como as coisas que ainda planejo fazer.
e quando a noite me cai com seus olhos negros
e me sobrevoa driblando tantas dores e outros gritos..
com ela vomito cicratrizes
e alguns cacos de vidro.

4 de ago de 2008

um horizonte de pássaros me visita e o tempo parece pescar o vôo no infinito.