17 de out de 2008

TIRO AO ALVO.


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Cai a janela
abre o pano
atiram flechas
sou o alvo.
Sou a flecha fincada no buraco negro do alvo
sou flecha fincada no peito
sou flecha fincada e mirada no buraco do peito.
Sou flecha. Sou alvo.
Atirem! Atirem, covardes!
Não irei reagir.
Perdi a coragem arqueada do suicídio.
que ele vá pra longe
que ele seja o alvo de outras flechas fincadas no meu corpo.
Sou flecha andarilha.
Sou flecha que atinge o ápice do alfabeto.
Sou linguagem pura e sem dialética
sou palavra tingida
sou arco de palavras, não de flechas.
Mas me disfarço em lingua afiada
e me retiro quando não há mais palavra...

3 comentários:

Pavitra disse...


está aí aquela que me deixa "osmática"

como é bom ler vc!

Adriana Monteiro de Barros disse...

....osmática ou metacósmica? Vc é simplesmente o máximo Pav! Sabe o que dizer na hor certa, o que de melhor brota nessa sua cachoeira de emoções e pensamentos!
bjs

julio de castro disse...

o arqueiro é o arco, a flecha e o alvo.