20 de mai. de 2009

O CÉU QUE ME COBRE



Arte/Salvador Dali

A manhã acordou em compasso de espera.
Não sei se eu não dormi ou se a lua levantou mais cedo.
Sei que era tarde e não era, como é há tempos.
Um grito vazio abraçava meu corpo.
Meus olhos abertos e empoeirados.
Um medo que não dormia e um tempo que não era mais tempo.
Tudo era dupuração e dor.
E mesmo que não fosse só isso,
mesmo que houvesse risos e flores lá fora,
ou que ainda fosse carnaval,
em mim era tarde. Era muito tarde sobre mim.
Meu coração tem em si um jeito seco
e murcho que se desmancha
em constantes desacertos que me acompanham.
Algumas coisas sei de mim.
Preciso te-las sobre o papel, me lambuzar.
Preciso me deixar lamber pelo gosto delas,
antes que as manhãs tomem formas rígidas
e não derramem pássaros brancos
sobre o branco do lençol.

by@mb

11 de mai. de 2009

PAZ ENGAVETADA


Arte/Rausch Rausemberg


Há mais ou menos um mês, meu filhote Gabriel, me veio com a seguinte novidade: "Mãe, eu quero que vc participe do Concurso de Poesia que vai haver no colégio." A voz era enfática e o compromisso maior ainda. Tudo bem que eu seja poeta, já tenha lançado um livro e até ganho um Concurso de Poesia, aliás, o primeiro e até então o último em que havia decidido participar, mas o pedido de um filho sedutor como é o Gabriel, é quase uma ordem.

Resolví então dar essa alegria a ele e de alguma forma, contribuir para que os alunos leiam e escrevam mais poesias. O Concurso no Cel - Centro Educacional da Lagoa- era entre pais e alunos em categorias distintas,idades diferente e prêmios também diferentes mas, o tema referente a Paz seria o mesmo para todos. Bom, sentei e quebrei a cabeça porque nunca havia escrito nada cujo tema fosse encomendado.

No dia 6 deste mês, resolvi dar uma olhada no resultado do concurso, já pensando em explicar para o Gabriel, que concurso é igual a cabeça de juiz, nunca se sabe exatamente o que pode acontecer. Perguntei então à professsora dele sobre o resultado e ela educadamente, me pediu que falasse com a coordenadora do colégio. Fui falar com a Lucília que na mesma hora deu uma risada gostosa e disse: "Dá uma olhada no cartaz alí fora."

Aí Meu Deus, eu tô muito velha pra essas coisas, emoções fortes assim, podem me tirar o fôlego, pensei. Mas, fui checar. Quando ví meu nome em vermelho e os olhinhos de felicidade do meu filho, tudo fez sentido. Eu havia ganho o concurso, junto com outros alunos e pais de alunos. A premiação é amanhã e o DVD player que vou receber já tem dono certo. Por esse e outros motivos,dizer que não fiquei feliz ou que não acreditava totalmente que pudesse ganhar, seria uma hipocrisia da minha parte, mas nada se compara à felicidade que proporcionei ao meu filho. O Gabriel sim, merece esse prêmio e todos os outros que virão, muito mais do que eu.

PAZ ENGAVETADA

Dentro do meu armário, no fundo de uma gaveta,
existe um cofre, uma caixa sem trancas,
de onde onde saltam transparentes bolinhas de gude
e pedras redondinhas que eu catava à beira do rio.
Não eram raros os banhos de cachoeira e os tatuís na praia.
Pedaços de quartzo soltos na memória.
Meus retalhos de boneca, minha rede preferida,
luas cheias, janelas escancaradas ao léu,
e meus anjos travessos da turma da esquina.
Cacos e colares de conchinhas de areia que a vida dissolveu...
Hoje, entre janelas, riscam balas perdidas,
os portões têm mais grades,
as ruas estão mais tristes e escuras
e só a minha caixinha não tem trancas.
Nela brinco com as palavras e as memórias de criança,
que ainda solta pipa e acredita em gnomos, fadas e dragões,
mesmo que sejam castelos de areia,
no fundo de uma gaveta, dentro de uma armário sem trancas.

5 de mai. de 2009

A MATEMÁTICA NOSSA DE CADA DIA.


Foto/ Google

Se um dia o computador nos calcular somo vidas em mim.
Ando cansada dessa matemática de menos.
Me recuso ao meio prazer, meia paixão,
meio tesão ou meia dor.
O meio da metade de todos que ao contrário de tudo
ainda são divisores ao invés de inteiros.

by@MB

29 de abr. de 2009

AUTOFAGIA


ater/Pollock

DELICIOSAMENTE MINTO SOBRE AS DELICÍAS DOS MEUS DELITOS.

27 de abr. de 2009

SER



Arte/Frida Kalho

A ETERNIDADE DO SER É SENÃO À PRÓPRIA VIDA. A EFEMÉRIDE DE TUDO. A INSUSTENTÁVEL INCERTEZA DO PRESENTE E A CERTEIRA DESCONFIANÇA NO FUTURO.

BY@MB

21 de abr. de 2009

PALAVRA VIDA



MINHA VIDA É ESCOAR PALAVRAS.
by@mb

13 de abr. de 2009

CORAÇÃO URBANO



Arte/Magrite

Romper limites
extrapolar fronteiras
quebrar a cara
nesta babilônia dos sentidos
é solidão a 2.
É solidão na multidão
luta que já nasce abortada
num gozo da alma sem calma.
Cidade de loucos
cidade de poucos
Rio de todos
engrenagens, sakanagens,
gringos, gingas e galinhas...
Rio pra não chorar
Rio pra não gargalhar
Rio pra não dançar do homem q não ri
seja em Copacabana ou na Miami daqui.
Metópoles de uma mesma cidade
e seus personagens alucinados
iluminados
desesperados.
Rebeldes moram aqui
ratos também
e neste covil nos comemos todos
vivos ou mortos
rinocerontes ou não
seres doentes organicamente sãos.

9 de abr. de 2009

AMORES SILENCIOSOS NÃO DURAM MAIS.



De novo esta longa pausa entre uma cicatriz e outra.

De novo verei a chuva cair sózinha.

De novo jantarei e dormirei só.

Acho que me cai bem uma personagem assim.

Um dia feliz, noutro chafurdada na lama.

Amores que não duram mais que um amanhã.

Amores maiores que o próprio amor.

2 de abr. de 2009

VAZIOS



arte/PETER BLAKE

DESNECESSIDADE É VER O QUE NÃO HÁ.

@MB by myself

30 de mar. de 2009

SOBRE ALGUMAS COISAS DE MIM




Porque ainda sinto e respiro

Por todos os apesares

Por toda lágrima

Por todos os que amo e amam

Por todo encanto

Porque ainda canto

Por tudo que é mais sagrado

e o que não é mais...

Apesar do eterno e do efêmero

Do enterro e do medo,


VIVO!

25 de mar. de 2009


arte/ Van Gogh


Um horizonte de pássaros me visita e o tempo parece pescar o voo no infinito.

20 de mar. de 2009

SUSTO


tela/RAUSH ROSEMBERG

Meu coração dormia quietinho.
Pensei que não fosse haver mais tempestades,
mas de todas as coisas,
é esta a que eu menos sei.
Tempestades de movimentos me dão medo.
O medo cresce dentro da gente .
cresce e afunda nosso barco.
Cresce onde os olhos doem e não podem mais ver.
Na gaveta do não-sei, eu guardo uma âncora.
Lançada ao mar, me fixa e me equilibra.
Se tempestades fossem outra calmaria,
se jorrassem do céu e não de mim,
se ao invés de chuva,
escorressem raios de sol pelos olhos,
eu acreditaria que lágrimas seriam água.
O resto é outra simentria.

18 de mar. de 2009

DAS MARGENS



Meu poema não é feito das águas dos rios.
Mas das lágrimas que as águas dos rios não levam.
Tenho um poema de urgências que me reinventa a cada margem.
Tudo nele é líquido.
Meu poema é líquido.
Meus oceanos vazam enquanto nado em desertos.
Suo e Sou a liquidez das manhãs que transbordam
incêncios em silêncios.
Em mim, um poema líquido , mora.

by myself

12 de mar. de 2009

REFLUXO



Não aprendi a me conter.
Ainda vazo. Infiltro.
Ainda derramo.
Deságuam em mim correntezas.
Mar aberto. Rios sem margens.
Viver é ato contínuo.
Ato reflexo e contínuo.
Forma de eternizar o presente.
E há muitas formas.
Todas elas me cabem.
Todas elas existem.
Umas desfolham. Outras me vestem.
Umas, outono. Outras, inverno.
Certas estações me vertem sendo água.
Certas pessoas me tranaspiram sendo quentes.
Acho que meu fluxo brota em letras.
Depois de escrever, eu jorro pro mundo.

by mylself

8 de mar. de 2009

OUTRAS VOZES



MEU AMOR DESFILA ESGUIO SOB O OLHAR DA LUA.
ACONTECE SENSATO SOBRE A VIDA.
LÂNGUIDO E FORTE,ESPALHA SEU ENCANTO.
SEDUZ OS MAIORES MISTÉRIOS DA CRIAÇÃO.
SEU DESEJO É ARDENTE.
E NO COTIDIANO DA LEVEZA,
O QUERO EM MEUS BRAÇOS.
SEMPRE.

3 de mar. de 2009

Da série problemas pessoais...


arte/BASQUIAT


MEU CORAÇÃO É UM JORNAL DIÁRIO
ONDE ESPOCAM FASHES DE NÓS DOIS
EM MANCHETES EXPLOSIVAS
E EMPOEIRADAS DA METRÓPOLE.

ARRASTO COMIGO UM POEMA
QUE IMPRIMO NO CORAÇÃO
NA BUSCA INCESSANTE DE PALAVRAS
PARA SER ESCRITO.

NAVEGO A CANETA ÀS TARDES CINZENTAS
COM A CARA IMUMDA DE PERSPECTIVAS
MAS LAVADA DE CICRATIZES.
E QUANDO A NOITE CHEGA
COM SEUS OLHOS DE FERA
JOGO A LUA DE SAUDADES SOBRE TI
E ME ENGULO ADENTRO.

27 de fev. de 2009

PARA O ANO COMEÇAR BEM...BAMGALÔ TRÊS VEZES....



A noite deságua o amor
dos sonhos telúricos deste homem
que adormece ao meu lado
e que habita minha alma exilada e refugiada
sobre seus encantos.
Sou açoitada pelos teus desejos,
embalada pelos teus beijos
na noite que me faz sereia.
E lá, no fundo do mar desses lençóis,
somos muito mais doque doces momentos...
seremos sempre eternos encontros.

25 de fev. de 2009

EU MEDITEI NO CARNAVAL DO RIO



Nunca fui muito "dada" à Carnaval. A folia de Momo nunca me pegou pelos peitos ou pelos pés. Mas não sou nenhuma chata que prefere se trancar em casa, ao invés de encontrar os amigos rua à fora. Gosto sim, de um papo no bar, participar de alguns blocos ou mesmo sambar quando os pés começarem a coçar. Mas passei os quatro dias de carnaval assistindo à programação via satélite.

No início por uma opção mais que legítima, uma vez que meus filhos viajaram, e eu simplesmente me dei ao luxo de ficar no Rio. Pensei em descansar do trabalho que a rotina nos impõe e relaxar, porquê ninguém é de ferro. Não deu.

Toda vez que pensava em botar o bloco na rua , era aquela loucura, " um corre-corre", "um puxa e vai", "um tira essa mão bôba daí, meu velho" ...Não, assim, não há animação que resista. A minha então que já não é grande, ficou menor ainda...

O Leblon, bairro onde moro há anos e que por tradição ou estratégia, sempre ficou mais à margem da folia, a não ser em dois ou três pontos mais conhecidos, este ano enlouqueceu. Havia banda em cada metro quadrado. Carro nem pensar, vaga mesmo só no depósito do Detran. Desistí.

Peguei então vários livros que olhavam pra mim há dias, posicionei o telefone, o controle remoto da tv, liguei o computador e assisti o carnaval passar pela janela. Não sei se isso é a tal crise da idade, mas em 2010 vou pra serra. Vou dois dias antes e volto um dia depois. Só espero que as estradas e o meu carro estejam em perfeitas condições. Senão, vai ser outra roubada!

Namastê!

16 de fev. de 2009

REGRESSO


foto/Luciana Dau

Há na vida, algo maior que não se decompõe com o tempo,
e transpõe a matéria.
Há, no amor , um acontecimento sublime que ultrapassa o encontro.
Há, no sonho, um fio de realidade que vai além de uma canção
e seu destino.
Há, no homem, a idade plena da esperança,
o gozo supremo de amadurecer como frutos de uma existência.
Haverá sempre o eterno juízo, o eterno retorno ao espírito
e ao que ele significa.

9 de fev. de 2009

FORMAS


FOTO/LUCIANA DAU

tento descrever os instantes que me perseguem,
a vida que me basta,
mas as letras me faltam.
O que sobra é a incerteza,
que me cala.