29 de set. de 2009

TEMPORAL



Tempestades não são boas conselheiras.
Em geral, deprimem o retrato.
Melhor esperar a cachoeira cumprir seu destino
Afinal, a poesiaaquece o pensamento embaixo dos lençóis.
As borboletas ainda se debatem contra as vidraças molhadas
e as orquídeas teimamem colorir a paisagem pelas janelas.
Em dias de tempestade, meus olhos chovem.
Choram e chovem todas as lágrimas que agora caem lá fora
Meus olhos ainda insistem em chorar.

11 de set. de 2009

ANJOS TÊM ASAS QUEBRADAS



MEIA-NOITE E OS GATOS MIAM ININTERRUPTAMENTE.
MEIA-NOITE E EU DESPERTA,
SOM LIGADO,
LIVRO ABERTO
TUDO SEMPRE INCERTO.
MEIA-NOITE E EU CHEIA.
NOITE EMEIA E EU AQUI.
EU MINGUANTE.

28 de ago. de 2009

OFÍCIO DE ESCRITOR



Foto/Maiakowski
Para meu Pai

TODA PALAVRA É SILÊNCIO.
TODA PALAVRA É ALMA.
TODO SILÊNCIO É PALAVRA.
TODA ALMA, SILÊNCIO.
TODO SILÊNCIO É VESTIDO DE ALMA.
APESAR DAS PALAVRAS, MINHA VIDA NUNCA FOI SILÊNCIO.

17 de ago. de 2009

DAS MARGENS


foto/google

MEU POEMA NÃO É FEITO DA ÁGUA DOS RIOS
MAS DAS LÁGRIMAS QUE AS ÁGUAS DOS RIOS NÃO LEVAM.
FLUTUO UM POEMA DE URGÊNCIAS.
TUDO NELE É LÍQUIDO.
UM POEMA LÍQUIDO.
MEUS OCEANOS VAZAM ENQUANTO NADO EM DESERTOS.
SUO A LIQUIDEZ DAS PÁLIDAS MANHÃS.
SOU O SILÊNCIO QUE TRANSBORDA INCÊNDIOS EM DESERTOS.
NO FUNDO OU NA RASANTE DOS RIOS
PALAVRAS, SÃO LÁGRIMAS QUE AINDA NÃO CHOREI.

2 de ago. de 2009

SOBRE O RESTO DAS COISAS



SOU FEITA DO QUE ME RESTA.
MEUS OSSOS E CORPO FALAM POR MIM.
OLHO PRO TEMPO E ISSO ME ASSUSTA E SUSTENTA.
TODO POEMA É UMA TENTATIVA DE ACALENTAR ESSA DOR.
SE ESCREVO ASSIM É PORQUE ME FAÇO LEVE.
JORRO PRO MUNDO O QUE NÃO CABE EM MIM.

by @mb

27 de jul. de 2009

SOLIDÃO NA METRÓPOLE


Foto Marylin Monroe

Rasgo a cara na manhã cinzenta desta cidade.
Me dirijo a qualquer lugar.
Não olho os sinais.
Não olho pra trás.
Automaticamente, sigo em frente.
Não paro.
Não ouço.
Finjo,
Não sinto.
Deslogo e ligo o I-Pod.
Antena transmissora de mim.
Não canto. Não penso.
Ouço apenas o barulho do meu silêncio.

2 de jul. de 2009


foto/Rita Hayworth

ESTILHAÇOS DE NUVENS

O amor é uma concha.
Aos poucos e cruelmente
suas arestas tornam a pele estéril.
Não há parto que o faça em pedaços
nem tempo de espera que o faça leve.
O amor não conhece o fundo dos rios.
Não importa,se o vento soprou os pingos de chuva
para debaixo das nuvens.
Eles simplesmente se quebraram no ar.
Do amor não beberei mais.
Há arsênico em seus pequenos frascos.
A morte é anunciada em borrifadas de perfume e mel,
como minha loucura.

22 de jun. de 2009

SEMPRE SUA E ETERNAMENTE NUA


Foto/Atelier da Imagen

Dormirei pouco hoje
porque a noite é pouca
a madrugada é pouca
e o dia é imenso.
me dê sua boca
sua lingua
seu gosto
pois é tudo desejo
tudo beijo.
depois abra suas pernas
porque meu corpo está obcecado
e o coração adocicado.
me come, me faz de puta
e depois me abrace.
chegue assim sem pedir licença
se meta na minha vida
tire minhas roupas
e engula meus seios.
deixe eu invadir seu peito
quero gemer no seu pescoço
uivar nos seus ouvidos
te fazer de meu e me fingir de sua.
e antes que a lua me amanheça
me faça sua refén
depois eu juro que vou embora.

@mb

9 de jun. de 2009

CERTAS (in) COERÊNCIAS




SIGO INDEFINIDA.

SILENCIOSA, DESFILO VERSOS,

NA CADÊNCIA DAS MANHÃS.

POR VEZES ENLOUQUECIDA,

EM OUTRAS SERENA,

PRECISO DESPIR-ME DE PENSAMENTOS

E FAZER VOAR DESEJOS EM VOLTA DE MIM.



by@mb

1 de jun. de 2009

ENTRE BOLAS DE GUDE E O INFINITO DO CÉU.


Foto/Valéria Simões

Outro dia, um desses dias especiais que não saem da memória, recebi do meu filhotinho, um poeminha lindo no dia das Mães. Dizia assim:

"Mãe, você é o pólem da minha flor.
O sangue das minhas veias e artérias.
Você é um dos neurônios do meu cérebro."


Então em homenagem ao Gabriel, o meu poema.

Dizem que homem não chora,
mas eu já vi homem chorar.
Vi um pequeno homem chorar
e choramos juntos.
Choramos pessoas, coisas e nós
choramos um mundo,
depois brincamos de esconder lágrimas.
Brincamos de esconder rios de lágrimas.
Meu menino tem todas as idades,
tem nos olhos um universo de sentimentos.
às vezes, escorrem águas.
Em outras brilham,
mas nos olhos do meu menino,
há, para sempre, o azul imenso
a romper os dias
e a atravessar as manhãs
do infinito céu de janeiro.

20 de mai. de 2009

O CÉU QUE ME COBRE



Arte/Salvador Dali

A manhã acordou em compasso de espera.
Não sei se eu não dormi ou se a lua levantou mais cedo.
Sei que era tarde e não era, como é há tempos.
Um grito vazio abraçava meu corpo.
Meus olhos abertos e empoeirados.
Um medo que não dormia e um tempo que não era mais tempo.
Tudo era dupuração e dor.
E mesmo que não fosse só isso,
mesmo que houvesse risos e flores lá fora,
ou que ainda fosse carnaval,
em mim era tarde. Era muito tarde sobre mim.
Meu coração tem em si um jeito seco
e murcho que se desmancha
em constantes desacertos que me acompanham.
Algumas coisas sei de mim.
Preciso te-las sobre o papel, me lambuzar.
Preciso me deixar lamber pelo gosto delas,
antes que as manhãs tomem formas rígidas
e não derramem pássaros brancos
sobre o branco do lençol.

by@mb

11 de mai. de 2009

PAZ ENGAVETADA


Arte/Rausch Rausemberg


Há mais ou menos um mês, meu filhote Gabriel, me veio com a seguinte novidade: "Mãe, eu quero que vc participe do Concurso de Poesia que vai haver no colégio." A voz era enfática e o compromisso maior ainda. Tudo bem que eu seja poeta, já tenha lançado um livro e até ganho um Concurso de Poesia, aliás, o primeiro e até então o último em que havia decidido participar, mas o pedido de um filho sedutor como é o Gabriel, é quase uma ordem.

Resolví então dar essa alegria a ele e de alguma forma, contribuir para que os alunos leiam e escrevam mais poesias. O Concurso no Cel - Centro Educacional da Lagoa- era entre pais e alunos em categorias distintas,idades diferente e prêmios também diferentes mas, o tema referente a Paz seria o mesmo para todos. Bom, sentei e quebrei a cabeça porque nunca havia escrito nada cujo tema fosse encomendado.

No dia 6 deste mês, resolvi dar uma olhada no resultado do concurso, já pensando em explicar para o Gabriel, que concurso é igual a cabeça de juiz, nunca se sabe exatamente o que pode acontecer. Perguntei então à professsora dele sobre o resultado e ela educadamente, me pediu que falasse com a coordenadora do colégio. Fui falar com a Lucília que na mesma hora deu uma risada gostosa e disse: "Dá uma olhada no cartaz alí fora."

Aí Meu Deus, eu tô muito velha pra essas coisas, emoções fortes assim, podem me tirar o fôlego, pensei. Mas, fui checar. Quando ví meu nome em vermelho e os olhinhos de felicidade do meu filho, tudo fez sentido. Eu havia ganho o concurso, junto com outros alunos e pais de alunos. A premiação é amanhã e o DVD player que vou receber já tem dono certo. Por esse e outros motivos,dizer que não fiquei feliz ou que não acreditava totalmente que pudesse ganhar, seria uma hipocrisia da minha parte, mas nada se compara à felicidade que proporcionei ao meu filho. O Gabriel sim, merece esse prêmio e todos os outros que virão, muito mais do que eu.

PAZ ENGAVETADA

Dentro do meu armário, no fundo de uma gaveta,
existe um cofre, uma caixa sem trancas,
de onde onde saltam transparentes bolinhas de gude
e pedras redondinhas que eu catava à beira do rio.
Não eram raros os banhos de cachoeira e os tatuís na praia.
Pedaços de quartzo soltos na memória.
Meus retalhos de boneca, minha rede preferida,
luas cheias, janelas escancaradas ao léu,
e meus anjos travessos da turma da esquina.
Cacos e colares de conchinhas de areia que a vida dissolveu...
Hoje, entre janelas, riscam balas perdidas,
os portões têm mais grades,
as ruas estão mais tristes e escuras
e só a minha caixinha não tem trancas.
Nela brinco com as palavras e as memórias de criança,
que ainda solta pipa e acredita em gnomos, fadas e dragões,
mesmo que sejam castelos de areia,
no fundo de uma gaveta, dentro de uma armário sem trancas.

5 de mai. de 2009

A MATEMÁTICA NOSSA DE CADA DIA.


Foto/ Google

Se um dia o computador nos calcular somo vidas em mim.
Ando cansada dessa matemática de menos.
Me recuso ao meio prazer, meia paixão,
meio tesão ou meia dor.
O meio da metade de todos que ao contrário de tudo
ainda são divisores ao invés de inteiros.

by@MB

29 de abr. de 2009

AUTOFAGIA


ater/Pollock

DELICIOSAMENTE MINTO SOBRE AS DELICÍAS DOS MEUS DELITOS.

27 de abr. de 2009

SER



Arte/Frida Kalho

A ETERNIDADE DO SER É SENÃO À PRÓPRIA VIDA. A EFEMÉRIDE DE TUDO. A INSUSTENTÁVEL INCERTEZA DO PRESENTE E A CERTEIRA DESCONFIANÇA NO FUTURO.

BY@MB

21 de abr. de 2009

PALAVRA VIDA



MINHA VIDA É ESCOAR PALAVRAS.
by@mb

13 de abr. de 2009

CORAÇÃO URBANO



Arte/Magrite

Romper limites
extrapolar fronteiras
quebrar a cara
nesta babilônia dos sentidos
é solidão a 2.
É solidão na multidão
luta que já nasce abortada
num gozo da alma sem calma.
Cidade de loucos
cidade de poucos
Rio de todos
engrenagens, sakanagens,
gringos, gingas e galinhas...
Rio pra não chorar
Rio pra não gargalhar
Rio pra não dançar do homem q não ri
seja em Copacabana ou na Miami daqui.
Metópoles de uma mesma cidade
e seus personagens alucinados
iluminados
desesperados.
Rebeldes moram aqui
ratos também
e neste covil nos comemos todos
vivos ou mortos
rinocerontes ou não
seres doentes organicamente sãos.

9 de abr. de 2009

AMORES SILENCIOSOS NÃO DURAM MAIS.



De novo esta longa pausa entre uma cicatriz e outra.

De novo verei a chuva cair sózinha.

De novo jantarei e dormirei só.

Acho que me cai bem uma personagem assim.

Um dia feliz, noutro chafurdada na lama.

Amores que não duram mais que um amanhã.

Amores maiores que o próprio amor.

2 de abr. de 2009

VAZIOS



arte/PETER BLAKE

DESNECESSIDADE É VER O QUE NÃO HÁ.

@MB by myself