29 de out. de 2009

COMO POSSO TE AGRADECER, HELENA?


Arte/Frida Kahlo
Oi Adriana,
acabo de ler teu livro, inteiro, e quero te dizer que gostei muito.
talvez tenhas demorado a publicar porque estavas vivendo. e da vida mesma, essencial para o conhecimento de tudo e de nós mesmos, revelas a experiência e o sentimento de quem a vive intensa, sem medo, como uma flor que nasce no asfalto e dá luz ao que é escuro, movimento ao que parece estático, turbilhão onde existe apatia.
parabéns. e obrigada. foi muito bom estar frente a frente com uma pessoa sincera no que faz, e invulgar justamente por isso.
beijo
Helena Ortiz

19 de out. de 2009

É H.O.J.E

Leituras da semana
www.paulacajaty.com

Queridos amigos,

Outubro já se acaba, o horário de verão começa, termina a primeira década desse novo século, e é como se pudesse sentir a vida correndo para outros rumos, rumos onde a maresia é mais forte, por onde as ondas batem solitárias e repetidamente ecoam por dentro.

E isso traz um certo medo, como se o entardecer desse algum aviso importante e profundo, de como vamos perdendo as pessoas, os amores, de como vamos nos perdendo de nós mesmos. E é como se a vermelhidão nas nuvens avisasse o quanto somos impotentes tentando manter as coisas como elas sempre foram, tentando manter por perto os que nos são mais caros.

Certas pessoas são tão importantes que quase nem nos damos conta disso. Essas pessoas que nunca passam tempo suficiente dentro da gente.

Os dias batem e ecoam, as horas precisam andar por outros rumos, e só depois, bem depois, é que entendemos.

Aquela liberdade de ir e vir e não ter amarra, traz uma gravidade maior do que a juventude pedia. Apesar disso tudo, do vermelhecer das nuvens, da noite agitando o vento, do alvoroço nas copas das árvores, eu já me recolho desde agora, fecho a janela no trinco e abro o postigo.

E pego um livro, claro, esse remédio para todas as horas.

Dicas da semana (10.10.2009 a 16.10.2009)
Fontes: Caderno Prosa&Verso, jornal O Globo, Suplemento Ideias&Livros, Jornal do Brasil, e mailing pessoal da autora

Eventos, cursos e novidades

- os poetas Elaine Pauvolid, Luis Serguilha e Thereza Christina estarão na Ponte de Versos de 19.10, a partir das 21h no ArtHostel (Silveira Martins, 135, Catete), juntamente com a turma da Arte em Andamento, Adriana Monteiro de Barros e Cristina Terra.
(...)

- o escritor e amigo Beto Palaio, de Sampa, encaminha página do The New York Times, com Herta Müller, que ganhou o Nobel de Literatura de 2009, e alguns trechos de três de seus livros. Valeu, Beto!

14 de out. de 2009

UM POEMAÇO



Se me perguntarem hoje o que mais gosto de ganhar, eu diria: poemas. Principalmente e por ter sido feito em minha homenagem. Com certeza não há paixão maior nesse mundo que ser carinhosamente lembrada por um grande poeta. Obrigada Rui, por todos os sonhos que tive, embalados pelo seu poema. Meu beijo eterno.

CACOS
Para Adriana Monteiro de Barros

Abro-me em cacos de sonhos.
Quero ser acolhido
em mãos sem medo.
Que as lágrimas não vertidas
encontrem seu vórtice
e brotem em meu rosto,
sem medo.

6 de out. de 2009

Não é meio em cima da hora é a hora que é essa.


Galera é a primeira vez, e a primeira vez vcs sabem....a gente nunca esquece. Mas acredito nas boas impressões e intenções do meu querido poeta Tavinho Paes, uma cabeça em permanente ebulição! O lugar dever ser bacanérrimo, as pessoas, claro! Mas o melghor de tudo é o visual da Av Sernambetiba. O NatVideo fica à uma rua da praça do Ó pra quem vai pro Recreio. Nos vemos lá então às 21:30h.O evento sarau-muiltimídia acontecerá todas às quartas de outubro e quiça de novembro.

1 de out. de 2009

PONTE DE VERSOS

PONTE DE VERSOS e LIVRARIA DACONDE
convidam para a leitura de poemas em homenagem a

MARIO DE ANDRADE

Mario de Andrade estaria completando 116 anos em 2009. Os poetas da Ponte de Versos homenageiam um dos mais importantes intelectuais do país.
“Sem Mario de Andrade não haveria a nova poesia no Brasil. Foi ele quem começou tudo com a Semana de Arte Moderna de 22, que, por sua vez, foi um divisor de águas para a poesia que se faz hoje”, afirma Thereza Christina Rocque da Motta, organizadora do evento.

Poetas convidados:
Adriana Monteiro de Barros
Elaine Pauvolid
Cristina Terra
Pedro Lage
Pedro Lago
Rosália Milsztajn
Gustavo Jobim

Este mês acontece mais cedo por conta dos feriados (12/10, N.S. Aparecida e 19/10, dia do comerciário).

Traga seu poema favorito!
Venha fazer parte da comemoração na sobremesa!
Traga um poema no bolso para a saideira!

Segunda-feira, 5/10/2009
das 20h às 23h

Entrada franca.

Livraria da DaConde
Rua Conde de Bernadotte, 26 lj. 125
Leblon | Rio de Janeiro | RJ

Abraços poéticos,
Thereza Christina Motta

Próximas Pontes de Versos:
16/11 - Homenagem a Cecília Meireles (aniversário em 7/11)
21/12 - Ponte de Natal - Homenagem a Machado de Assis




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29 de set. de 2009

TEMPORAL



Tempestades não são boas conselheiras.
Em geral, deprimem o retrato.
Melhor esperar a cachoeira cumprir seu destino
Afinal, a poesiaaquece o pensamento embaixo dos lençóis.
As borboletas ainda se debatem contra as vidraças molhadas
e as orquídeas teimamem colorir a paisagem pelas janelas.
Em dias de tempestade, meus olhos chovem.
Choram e chovem todas as lágrimas que agora caem lá fora
Meus olhos ainda insistem em chorar.

11 de set. de 2009

ANJOS TÊM ASAS QUEBRADAS



MEIA-NOITE E OS GATOS MIAM ININTERRUPTAMENTE.
MEIA-NOITE E EU DESPERTA,
SOM LIGADO,
LIVRO ABERTO
TUDO SEMPRE INCERTO.
MEIA-NOITE E EU CHEIA.
NOITE EMEIA E EU AQUI.
EU MINGUANTE.

28 de ago. de 2009

OFÍCIO DE ESCRITOR



Foto/Maiakowski
Para meu Pai

TODA PALAVRA É SILÊNCIO.
TODA PALAVRA É ALMA.
TODO SILÊNCIO É PALAVRA.
TODA ALMA, SILÊNCIO.
TODO SILÊNCIO É VESTIDO DE ALMA.
APESAR DAS PALAVRAS, MINHA VIDA NUNCA FOI SILÊNCIO.

17 de ago. de 2009

DAS MARGENS


foto/google

MEU POEMA NÃO É FEITO DA ÁGUA DOS RIOS
MAS DAS LÁGRIMAS QUE AS ÁGUAS DOS RIOS NÃO LEVAM.
FLUTUO UM POEMA DE URGÊNCIAS.
TUDO NELE É LÍQUIDO.
UM POEMA LÍQUIDO.
MEUS OCEANOS VAZAM ENQUANTO NADO EM DESERTOS.
SUO A LIQUIDEZ DAS PÁLIDAS MANHÃS.
SOU O SILÊNCIO QUE TRANSBORDA INCÊNDIOS EM DESERTOS.
NO FUNDO OU NA RASANTE DOS RIOS
PALAVRAS, SÃO LÁGRIMAS QUE AINDA NÃO CHOREI.

2 de ago. de 2009

SOBRE O RESTO DAS COISAS



SOU FEITA DO QUE ME RESTA.
MEUS OSSOS E CORPO FALAM POR MIM.
OLHO PRO TEMPO E ISSO ME ASSUSTA E SUSTENTA.
TODO POEMA É UMA TENTATIVA DE ACALENTAR ESSA DOR.
SE ESCREVO ASSIM É PORQUE ME FAÇO LEVE.
JORRO PRO MUNDO O QUE NÃO CABE EM MIM.

by @mb

27 de jul. de 2009

SOLIDÃO NA METRÓPOLE


Foto Marylin Monroe

Rasgo a cara na manhã cinzenta desta cidade.
Me dirijo a qualquer lugar.
Não olho os sinais.
Não olho pra trás.
Automaticamente, sigo em frente.
Não paro.
Não ouço.
Finjo,
Não sinto.
Deslogo e ligo o I-Pod.
Antena transmissora de mim.
Não canto. Não penso.
Ouço apenas o barulho do meu silêncio.

2 de jul. de 2009


foto/Rita Hayworth

ESTILHAÇOS DE NUVENS

O amor é uma concha.
Aos poucos e cruelmente
suas arestas tornam a pele estéril.
Não há parto que o faça em pedaços
nem tempo de espera que o faça leve.
O amor não conhece o fundo dos rios.
Não importa,se o vento soprou os pingos de chuva
para debaixo das nuvens.
Eles simplesmente se quebraram no ar.
Do amor não beberei mais.
Há arsênico em seus pequenos frascos.
A morte é anunciada em borrifadas de perfume e mel,
como minha loucura.

22 de jun. de 2009

SEMPRE SUA E ETERNAMENTE NUA


Foto/Atelier da Imagen

Dormirei pouco hoje
porque a noite é pouca
a madrugada é pouca
e o dia é imenso.
me dê sua boca
sua lingua
seu gosto
pois é tudo desejo
tudo beijo.
depois abra suas pernas
porque meu corpo está obcecado
e o coração adocicado.
me come, me faz de puta
e depois me abrace.
chegue assim sem pedir licença
se meta na minha vida
tire minhas roupas
e engula meus seios.
deixe eu invadir seu peito
quero gemer no seu pescoço
uivar nos seus ouvidos
te fazer de meu e me fingir de sua.
e antes que a lua me amanheça
me faça sua refén
depois eu juro que vou embora.

@mb

9 de jun. de 2009

CERTAS (in) COERÊNCIAS




SIGO INDEFINIDA.

SILENCIOSA, DESFILO VERSOS,

NA CADÊNCIA DAS MANHÃS.

POR VEZES ENLOUQUECIDA,

EM OUTRAS SERENA,

PRECISO DESPIR-ME DE PENSAMENTOS

E FAZER VOAR DESEJOS EM VOLTA DE MIM.



by@mb

1 de jun. de 2009

ENTRE BOLAS DE GUDE E O INFINITO DO CÉU.


Foto/Valéria Simões

Outro dia, um desses dias especiais que não saem da memória, recebi do meu filhotinho, um poeminha lindo no dia das Mães. Dizia assim:

"Mãe, você é o pólem da minha flor.
O sangue das minhas veias e artérias.
Você é um dos neurônios do meu cérebro."


Então em homenagem ao Gabriel, o meu poema.

Dizem que homem não chora,
mas eu já vi homem chorar.
Vi um pequeno homem chorar
e choramos juntos.
Choramos pessoas, coisas e nós
choramos um mundo,
depois brincamos de esconder lágrimas.
Brincamos de esconder rios de lágrimas.
Meu menino tem todas as idades,
tem nos olhos um universo de sentimentos.
às vezes, escorrem águas.
Em outras brilham,
mas nos olhos do meu menino,
há, para sempre, o azul imenso
a romper os dias
e a atravessar as manhãs
do infinito céu de janeiro.

20 de mai. de 2009

O CÉU QUE ME COBRE



Arte/Salvador Dali

A manhã acordou em compasso de espera.
Não sei se eu não dormi ou se a lua levantou mais cedo.
Sei que era tarde e não era, como é há tempos.
Um grito vazio abraçava meu corpo.
Meus olhos abertos e empoeirados.
Um medo que não dormia e um tempo que não era mais tempo.
Tudo era dupuração e dor.
E mesmo que não fosse só isso,
mesmo que houvesse risos e flores lá fora,
ou que ainda fosse carnaval,
em mim era tarde. Era muito tarde sobre mim.
Meu coração tem em si um jeito seco
e murcho que se desmancha
em constantes desacertos que me acompanham.
Algumas coisas sei de mim.
Preciso te-las sobre o papel, me lambuzar.
Preciso me deixar lamber pelo gosto delas,
antes que as manhãs tomem formas rígidas
e não derramem pássaros brancos
sobre o branco do lençol.

by@mb

11 de mai. de 2009

PAZ ENGAVETADA


Arte/Rausch Rausemberg


Há mais ou menos um mês, meu filhote Gabriel, me veio com a seguinte novidade: "Mãe, eu quero que vc participe do Concurso de Poesia que vai haver no colégio." A voz era enfática e o compromisso maior ainda. Tudo bem que eu seja poeta, já tenha lançado um livro e até ganho um Concurso de Poesia, aliás, o primeiro e até então o último em que havia decidido participar, mas o pedido de um filho sedutor como é o Gabriel, é quase uma ordem.

Resolví então dar essa alegria a ele e de alguma forma, contribuir para que os alunos leiam e escrevam mais poesias. O Concurso no Cel - Centro Educacional da Lagoa- era entre pais e alunos em categorias distintas,idades diferente e prêmios também diferentes mas, o tema referente a Paz seria o mesmo para todos. Bom, sentei e quebrei a cabeça porque nunca havia escrito nada cujo tema fosse encomendado.

No dia 6 deste mês, resolvi dar uma olhada no resultado do concurso, já pensando em explicar para o Gabriel, que concurso é igual a cabeça de juiz, nunca se sabe exatamente o que pode acontecer. Perguntei então à professsora dele sobre o resultado e ela educadamente, me pediu que falasse com a coordenadora do colégio. Fui falar com a Lucília que na mesma hora deu uma risada gostosa e disse: "Dá uma olhada no cartaz alí fora."

Aí Meu Deus, eu tô muito velha pra essas coisas, emoções fortes assim, podem me tirar o fôlego, pensei. Mas, fui checar. Quando ví meu nome em vermelho e os olhinhos de felicidade do meu filho, tudo fez sentido. Eu havia ganho o concurso, junto com outros alunos e pais de alunos. A premiação é amanhã e o DVD player que vou receber já tem dono certo. Por esse e outros motivos,dizer que não fiquei feliz ou que não acreditava totalmente que pudesse ganhar, seria uma hipocrisia da minha parte, mas nada se compara à felicidade que proporcionei ao meu filho. O Gabriel sim, merece esse prêmio e todos os outros que virão, muito mais do que eu.

PAZ ENGAVETADA

Dentro do meu armário, no fundo de uma gaveta,
existe um cofre, uma caixa sem trancas,
de onde onde saltam transparentes bolinhas de gude
e pedras redondinhas que eu catava à beira do rio.
Não eram raros os banhos de cachoeira e os tatuís na praia.
Pedaços de quartzo soltos na memória.
Meus retalhos de boneca, minha rede preferida,
luas cheias, janelas escancaradas ao léu,
e meus anjos travessos da turma da esquina.
Cacos e colares de conchinhas de areia que a vida dissolveu...
Hoje, entre janelas, riscam balas perdidas,
os portões têm mais grades,
as ruas estão mais tristes e escuras
e só a minha caixinha não tem trancas.
Nela brinco com as palavras e as memórias de criança,
que ainda solta pipa e acredita em gnomos, fadas e dragões,
mesmo que sejam castelos de areia,
no fundo de uma gaveta, dentro de uma armário sem trancas.

5 de mai. de 2009

A MATEMÁTICA NOSSA DE CADA DIA.


Foto/ Google

Se um dia o computador nos calcular somo vidas em mim.
Ando cansada dessa matemática de menos.
Me recuso ao meio prazer, meia paixão,
meio tesão ou meia dor.
O meio da metade de todos que ao contrário de tudo
ainda são divisores ao invés de inteiros.

by@MB

29 de abr. de 2009

AUTOFAGIA


ater/Pollock

DELICIOSAMENTE MINTO SOBRE AS DELICÍAS DOS MEUS DELITOS.