3 de fev. de 2009

ENGOLIR


foto by Julio Pereira

Sei que engulo sentimentos e palavras.
Travo, mergulho, emboto...
Esqueço de distrair o tempo, tão vento, tão nuvem.
Me agarro aos fatos, aos cigarros, às coisas que não sei,
às que não são e às que nunca terão sentido
Engolir sentimento e palavras, é uma forma educada de não cuspir,
um jeito discreto de fazer as pedras rolarem,
mesmo que não façam tanto barulho.
Mesmo que sejam tolas...

31 de jan. de 2009

É...



Tem dias de sim. Dias de não. Dias apenas.Apenas pianos invisíveis no ar.

27 de jan. de 2009

VOLTA E MEIA



Minha vida anda dando voltas, ontem caminhei sem olhar. Ando meia cheia de todos, meio vazia de tudo, meio louca da vida. Dersarvoro, desatino, perambulo pelas ruas e me distraio em qualquer esquina. Preciso de senso enquanto acalmo os nervos. Meus erros não são de criação, é total tensão. Mas um dia ainda me conserto, me endireito, tentando fazer um festim perfeito. Um dia ainda vou ser dona de mim e vou achar graça dessa danada que ronda a minha cabeça com algumas certezas e infinitas desculpas....

24 de jan. de 2009

UM OLHAR CANGAÇO


arte/Bispo do Rosário

Sábado passado foi um daqueles dias memoráveis....Sabe quando vc não espera encontrar tanto poeta de respeito numa mesa de bar? Pois foi assim,uma amiga combinou o encontro e chamou as pessoas, poucas mas, de peso. Achamos que seria melhor desse jeito, quatro ou seis no máximo, para que a gente pudese se conhecer. Deu tudo certo, além de trocarmos livros e experiências, trocamos afetos...E entre os poetas estava o veterano Moacy Cirne, criador do poema/processo, e seu blog, "Balaio Porreta".A surpresa ficou por conta de dois poemas meus publicados esta semana no blog do Moacy. Foi uma delicadeza rara e especial de um dos maiores poetas deste país. Agora é a minha vez de retribuir e ficou difícil no meio de tanta coisa boa. Espero que eu tenha feito uma homenagem à sua altura Moacy. Beijos pra vc!

Um Olhar cangaço

de Moacy Cirne

um certo cansaço
um lambelambe sem memória
um velho cinema pax
um cão sem plumas
um potengi ao crepusculecer
um maraca maracanã
um poema sem poesia
um xerenhenhenhé de mulher
um quase tudo nenhum
e
50
sonhos adormenguecidos

22 de jan. de 2009

CHÃO DE NUVENS


arte/paul Klee

Há muito minha mãe deixou de contar estrelas...

Enquanto me mostrava "As três Marias" no céu,

procurava a mais brilhante e fazia comigo um pedido.

Hoje, ela continua a ver estrelas...mas não às conta mais.

O cansaço já a quer quietinha em seu silêncio de côres.

Peço a Deus que perfume seu jardim de jasmim,

para que nós possamos ter colado ao coração,

lindas e perfeitas imagens de criança,

enquanto os dias forem assim...

um chão de nuvens sem fim...

20 de jan. de 2009

FLORADA /in Pianos Invisíveis/


foto/ Karina Sokolova

Tudo em meu corpo adoece.
Tudo em meu corpo adoece quando choro.
Tudo em meu corpo chora.
Choro em todos os meus cantos.
Choram cantos e todos
choram todos os cantos.
Meus cantos são todos os cantos que choram.
Tenho muitos cantos
e eles choram.
Me alargo em tudo
e tudo me alaga.
Me alaga o rio quando choro.
O rio me alaga e me alarga.
Chora um rio em mim.
Um rio é um canto meu que chora
Meu avesso é um canto meu que floresce.
Meu aveso é um canto meu que chora e floresce.

Quero florescer como choro que brota
e como rio que alaga quando me deito.

18 de jan. de 2009

SOBRE O RESTO DAS COISAS....


foto/ Oleg Novopilov

Sou feita do que me resta.
Meus ossos e corpo falam por mim.
Olho pro tempo e é isso que me sustenta e assusta.
Todo poema é uma tentativa de acalantar essa dor.
E se escrevo é porque me faço leve.
Enquanto jorro pro mundo,
o que não cabe mais em mim.

La Fiorentina


Imagem/ Joseph Cornell

"O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis"
Fernando Pessoa

16 de jan. de 2009

O VERSO



Tristezas devem ser deixadas no papel.
Não voam.
Basta que não se escreva palavra mal dita.
Enquanto elas ficam adormecidas em letras,
torna-se possível recomeçar.

13 de jan. de 2009

POEMA ADRIANA


FOTO/GOOGLE
Em meio as festividades Natalinas regadas a cervejas, como não poderia deixar de ser, em se tratando dos "Ratos Diversos", eis que recebo de um amigo e poeta queridíssimo, um poema mais que oculto, quase de última hora. Mas o presente de fim de Ano não podia ser melhor! Que venha 2009 e "sobrem apenas beijos pra nos restaurar" Um Céu de beijos e abraços apertados pra vc Pedro!
PEDRO LAGE

"Um poema de ultima hora
Um poeta sempre é preciso
Mesmo vago-simpático, solto
no escarcéu do mundo-caos, de improviso
ou rugindo por dentro da Aurora
São últimas todas as horas
e o poeta de sobreaviso se encarrega do melhor
Ser o ordenador deste samba no escuro.

Passam vergéis de núpcias sagradas
Passam hip-hops do brejo
Os olhos se abrem ao cortejo
Passa um bonde voador puxando um piano
que ninguém vê, cheio de teclas mais sensíveis
que seus olhos de aldeia. Por um triz a lua é cheia
E o melodrama não existe, nem o fado
Mas o dia ali demanda a cor de teus olhos tristes
Minha longilínea mana,
E tudo o que sou a teu lado é feliz!
Mesmo que juntos a gente coma
as ruelas dos sonhos e desmonte os desejos
até que sobrem apenas os beijos
pra nos restaurar.

by
Pedro Lage

12 de jan. de 2009

ME FALTA


Retraro de Fernando Pessoa tela/ Almada Negreiros

Hoje não irei.
É dia de interiores fechados.
Dia de chuva é dia de não ir.
Mas de chorar.
Talvez amanhã eu empilhe sonhos
e fique encantada.

10 de jan. de 2009

JANEIRO



Gente, estou de férias.... quer dizer, meu filho de 10 anos está de férias. Por isto a ausência....contíiiinua! Mas entre um milk-shake e um sol escaldante, eu tento atualizar o blog. Beijos mil!

3 de jan. de 2009


tela/ Cornell Squirrel
Minhas palavras são lágrimas que ainda não chorei.

27 de dez. de 2008

HÀ POEMAS EM MIM...



Meu ser não têm portas nem janelas,
mas fendas e um mundo de significados
e significantes que dignificam quem sou.
No coração há um verso,
em cada poema, um oceano que chora,
e anestesia meus desejos em anseios.
Meu coração tem a intensidade que a vida ofereceu.

26 de dez. de 2008

INCERTEZAS


ARTE/ MÁRIO CRAVO

Sigo indefinida.
Silenciosa, desfilo versos
na cadência das manhãs.
Por vezes enlouquecida,
preciso despir-me de pensamento
e fazer voar desejos em volta de mim.

19 de dez. de 2008

DAS MARGENS



tela/Picasso

Meu poema nao é feito da água dos rios,

mas das lágrimas que as águas dos rios não levam.

Tenho um poema de urgências que me reinventa

à cada margem da vida.

Tudo em mim é líquido.

Meu poema é líquido.

Meus oceanos vazam enquanto nado em desertos.

Suo e sou a liquidez das manhãs

transbordando incêndios em silêncios.

Em mim, celebro um poema.

Dentro de mim, líquido, mora um poema.

11 de dez. de 2008

Um momento de alegria: Karla Sabá, Denizis Trindade e eu


foto/Julio Pereira

DEFLAGRAR POEMAS NO AR
É TUDO
OU PARTE DO TODO
QUE AINDA NÃO VI.

8 de dez. de 2008

ANJOS TÊM ASAS QUEBRADAS


FOTO LUCIANA DAU

Meia-noite e os gatos miam ininterruptamente.
Meia-noite e eu desperta,
som ligado,
livro aberto,
tudo sempre incerto.
Meia-noite eu cheia.
Noite e meia e eu aqui.
Eu minguante.

2 de dez. de 2008

Primavera dos Livros



UMA FESTA PARA OS OLHOS E A BOA LEITURA!

1 de dez. de 2008

AFETO


tela/Pablo Picasso

Para Meus filhos, Juliana e Gabriel
e Thereza Christina Roque da Motta


Meu corpo é feito de afetos.
É feito de tudo que tem existência,
de tudo que gera uma vida.
Em meu corpo, duas sementes germinaram,
dois presentes, duas bençãos,
dois poemas que jamais sonhei.
Meu corpo é pleno, cheio.
Tudo nele significa.
É um corpo repleto de aberturas e limites.
Um corpo que se ajusta
e se encaixa com os anos
em pés que aprenderam a dançar sem chão
e mãos que tocam notas invisíveis num piano invisível.
Nesses dias, anoiteço mais cedo.
Deixo o vento do outono soprar sobre meu rosto
e a lua da manhã me recobrir de estrelas.
Nesses dias anoiteço dentro de pianos invisíveis.

adriana monteiro de barros